Buscar
  • Alexandre Passos

Obesidade infantil






O Brasil é um dos 10 países do mundo que mais sofre com a obesidade infantil, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a

Infância (UNICEF). Isso demonstra que há algo de equivocado na alimentação e na prática de atividade física, sobretudo.

Só que esse problema não é apenas uma tendência brasileira. Pelo contrário, em todo o planeta os dados sobre o número de crianças e adolescentes obesos cresce paulatinamente. É um demonstrativo de um descontrole em níveis ainda maiores.

Para saber como cuidar do seu filho adequadamente, é preciso primeiro entender o que causa a obesidade infantil. Neste post, iremos discutir mais sobre isso, dando ideias e soluções para prevenir ou acabar com esse problema.

Dados sobre a obesidade infantil

Como foi dito na introdução, as estatísticas são bem claras: o número de crianças e adolescentes obesos tem crescido. Isso é preocupante para os países de praticamente todo o planeta, em função dos riscos que traz.

Uma criança obesa não é algo naturalmente normal. Não é tanto o aspecto estético que incomoda, mas sim a possibilidade de doenças que isso traz. Falaremos sobre isso mais adiante, mas tudo que seu filho não quer ter é diabetes, por exemplo.

Um dos estudos mais impactantes dos últimos anos foi realizado pela Fundação Mundial de Obesidade. Os dados obtidos pela instituição apontam para um aumento de 48 milhões no total de crianças acima do peso no mundo em apenas uma década.

De um número que já era alto, de 220 milhões, irá passar para o incrível 268 milhões de crianças com pelo menos sobrepeso. Entre essas, 91 milhões já são obesas, enquanto as outras estão caminhando para o mesmo resultado.

Muitas dessas crianças certamente já desenvolveram doenças que são comuns em pessoas mais velhas, como falaremos adiante. Agora, no entanto, vamos atentar para outros números importantes.

Esses totais indicam que sofrem com a obesidade pelo menos 15% das crianças e 8% dos adolescentes. Para piorar, 80% dos adolescentes que já têm obesidade tendem a permanecer assim durante a idade adulta também.

Ou seja, não só adquirir essa condição acontece, como ela tende a se manter a longo prazo em boa parte dos jovens. Pode ficar pela vida toda, gerando todos os malefícios possíveis, como é o caso das enfermidades decorrentes.

Entre os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, os números são ainda mais graves. De todas essas estatísticas levantadas, entende-se que 80% são provenientes de países como o nosso, e não dos mais desenvolvidos, como era de se esperar.

O que é a obesidade infantil

Vale a pena ressaltarmos uma definição coerente do que é obesidade infantil. Não é difícil de compreender: é uma situação na qual podem se encontrar crianças ou adolescentes em excesso de peso e que leva ao mal-estar psicológico e físico – com doenças, por exemplo.

Hoje em dia, em função justamente dessas enfermidades que pode trazer e do impacto que tem (como nossos dados iniciais demonstram bem), é considerada um problema grave de saúde pública. Por isso dá-se tanta atenção a ele.

Normalmente, as convenções mais utilizadas na medicina consideram que uma criança é obesa quando passou em 15% a média de peso de outras da sua idade. Outra forma de definir é ter um índice de massa corporal (IMC) que esteja no mínimo dois desvios-padrão acima da média da idade.

📷

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras instituições internacionais têm se preocupado cada vez mais com essa questão. Por isso, ela tem sido cada vez mais estudada e buscam-se alternativas de como resolver.

São vários os fatores que podem levar à obesidade nos jovens (listados abaixo). A maior parte deles está ligado, de fato, a questões comportamentais. Essas são, portanto, completamente evitáveis e passíveis de alteração.

  • Hábitos alimentares

  • Sedentarismo e falta de atividade física

  • Questões biológicas

  • Problemas psicológicos

Da mesma forma que são originadas por algum problema, as questões com excesso de peso causam decorrências ruins. Veremos isso na próxima seção, mas como já foi adiantado aqui, impacta negativamente no bem-estar e na saúde da criança.

Complicações da obesidade infantil

As enfermidades são particularmente nocivas para esses jovens. Dentro dos 91 milhões que apontamos nos dados iniciais, estimam-se outros números alarmantes sobre esses jovens. Veja:

  • 39 milhões já estão ou estarão com gordura no fígado

  • Cerca de 28 milhões são ou em breve serão hipertensos

  • Aproximadamente 4 milhões já desenvolveu ou desenvolverá logo diabetes tipo 2

Em geral, todos esses problemas costumam acometer pessoas mais velhas e que não têm hábitos saudáveis. Quando a incidência fica nesses níveis em criança, é um indicativo de que há algo muito errado e que precisa ser corrigido.

Além disso, a obesidade infantil pode gerar uma série de outras complicações na criança. Estatísticas mundiais indicam que sobrepeso e obesidade ocupa a posição de número cinco entre as principais causas de disfunções no mundo.

Outros problemas de saúde podem ser decorrentes do excesso de peso. Entre eles, está a má formação do esqueleto, alguns tipos de câncer, doenças no coração, diabetes, hipertensão, problemas com colesterol elevado.

Além disso, é muito comum que essas crianças sofram também no aspecto psicológico. Na escola, por exemplo, frequentemente acabam sofrendo bullying por parte dos colegas. Isso ajuda a piorar a autoconfiança, o bem-estar e uma série de fatores.

Para piorar, uma boa parte das crianças que se encontram nessas condições são filhas de pais também obesos. É comum que adultos que estejam enfrentando dificuldades com a balança (e inclusive sejam portadores das doenças descritas) tenham filhos que também desenvolvem excesso de peso.

Nesse caso, o que de certo modo surpreende, é que esses adultos, mais do que ninguém, já devem ter ouvido inúmeras recomendações médicas. Além disso, provavelmente já têm alguma enfermidade proveniente da obesidade e ainda assim criam os filhos sob as mesmas condições. Isto é evitável e há de se ter em mente.

A alimentação

Entre os principais fatores que levam à obesidade infantil, está o de ter hábitos alimentares que não são saudáveis. Como consequência, entender melhor como isso funciona, para então corrigir, é essencial.

Antes de tudo temos de salientar algo. Não há local em que quem faça as compras da casa sejam as crianças. Quem vai ao mercado e seleciona os produtos são os pais. Por conseguinte, é mais controlável o que será consumido e o que não será.

Alimentos extremamente gordurosos, como são os fast foods, são um problema em particular. As crianças gostam deles e muitas mães e pais também tem um certo apreço por comprá-los ou fazê-los em casa. Hamburgueres, batatas fritas, bifes cheios de manteiga, etc.

Evitar tudo isso é uma tarefa muito importante. Ao mesmo tempo, os doces em excesso não devem ser dados à criança. Pontualmente é sim possível, mas não de forma exagerada e sem controle.

A rigidez dos hábitos alimentares, aliás, varia neste primeiro momento de acordo com a condição de seu filho. Ele já está com excesso de peso? Está em sobrepeso ou em obesidade?

Isso ajuda a variar o que será mais indicado pelo nutricionista e pela equipe que o acompanhará. Siga sempre as orientações, por mais que possa parecer doloroso cortar uma alimentação que a criança gosta. Lembre-se que isto é para melhorar a saúde e o bem-estar dela.

Ao mesmo tempo, os próprios pais devem melhorar os seus próprios comportamentos alimentares. As crianças tendem a imitá-los e será muito mais difícil para ela se ela ver os pais fazendo o que ela não pode.

Uma reeducação alimentar em família pode ser um grande incentivo. No final, ainda acaba por melhorar a saúde de todos. Para a criança, torna-se mais compreensível e menos doloroso.

O sedentarismo

Outra causa da obesidade infantil, e que já é de conhecimento popular, é o sedentarismo. As crianças, assim como os adultos, devem manter uma atividade física regular, para manter o corpo em funcionamento.

Aliás, se tem algo que os jovens gostam, é de brincar. Por mais que os videogames sejam hoje em dia um dos hábitos preferidos, normalmente outras atividades são apreciadas também.

Pense, por exemplo, em inscrever seu filho em alguma aula de esportes que ele goste. Futebol, vôlei, handebol, basquete, artes marciais, natação… São várias as opções e é difícil que alguma criança não goste de uma delas.

Por certo que em função de problemas de autoestima talvez a criança não sinta tanta vontade assim. Contudo, siga as orientações de um psicólogo de confiança e introduza conforme ele orientar.

  1. De 0 a 5 anos: atividades lúdicas, que incentivem a criança a se exercitar (correr, pular, andar) são boas.

  2. De 6 a 8 anos: pode ser iniciada a prática de esportes em grupos, mas com o intuito de recreação e lazer. Influencia até mesmo na socialização.

  3. De 9 a 12 anos: cada vez mais as crianças tendem a buscar ultrapassar os seus limites por essa idade.

  4. De 13 a 18 anos: normalmente, nessa etapa o agora adolescente já identificou qual esporte o agrada mais.

Durante o período de esportes em grupo, não é bom incentivar uma competitividade no jovem. É comum que haja uma comparação entre a sua própria e a dos amigos, mas isso não é necessariamente bom. O intuito aqui é incentivar o desenvolvimento motor.

Essa pode ser uma ótima oportunidade para conciliar lazer e emagrecimento, que é necessário. É imprescindível que a criança acima do peso realize algum tipo de atividade física com uma certa regularidade.

📷

obesidade infantil

O acompanhamento multidisciplinar

A obesidade infantil requer um acompanhamento que vai além do médico. Mais do que isso, hoje em dia entende-se que o melhor é ter à disposição uma equipe multidisciplinar.

Em geral, os índices de crianças com peso elevado que começam a frequentar acompanhamentos multidisciplinares é muito bom. É comum que o problema seja resolvido, ou pelo menos minimizado.

Há vários entre os profissionais que podem ser consultados. Pediatras, psicólogos, nutricionistas e professores de educação física, por exemplo, estão entre os mais indicados. Cada um busca resolver um problema relacionado à obesidade infantil.

Como pode ser visto quando citamos as causas que levam a isso, elas contêm naturezas distintas. Além disso, podem ter consequências nocivas. Então estar atento em todas as áreas é o melhor caminho para ajudar a criança.

Alguns projetos sociais já ajudam com isso, para quem não tem tantos recursos financeiros à disposição. Caso seu filho tenha obesidade infantil, procure na sua cidade se há alguma instituição que possa auxiliá-lo com isso.

E a escola?

A escola é, muitas vezes, um local difícil para as crianças que têm obesidade infantil. Não somente em função do bullying que é sofrido com frequência, mas também pelo ambiente distinto do de sua casa.

Para os pais, é também um desafio. Afinal de contas, as estatísticas indicam que a maior parte das escolas públicas e privadas no país possuem cantinas ou similares que comercializam as comidas que devem ser evitadas (como os doces, os refrigerantes, as frituras, etc).

Então, como controlar o seu filho sob essas circunstâncias? O melhor é sempre educar o seu filho. Não o obrigue a tomar essas medidas comportamentais, mas ensine-o, explicando ponto a ponto os motivos.

Para os pais certamente não é algo fácil, mas para as crianças seguramente também não é. Essa está longe de ser a situação ideal, e por ela ninguém quer passar – nem você, nem seu filho.

Para evitar que consuma os alimentos nas cantinas, o Ministério da Saúde faz algumas orientações. Elas passam pelo preparo do lanche em casa e da utilização de lancheiras térmicas, por exemplo. Desse modo fica mais fácil controlar o que seu filho come.

Quanto à questão psicológica, oriente-o a contar para você e para os professores caso acredite que possa estar sofrendo bullying. As crianças podem se sentir mal e quererem esconder isso. Não o reprima, em vez disso dê apoio e busque resolver com a equipe multidisciplinar.

Mensagem final

A obesidade infantil é um mal que tem crescido cada vez mais em nosso mundo. Ela gera muitos problemas às crianças, que podem se tornar permanentes.

Referências

https://saude.abril.com.br/familia/taxas-de-obesidade-infantil-tendem-a-subir-no-mundo/

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2019/06/04/interna_ciencia_saude,759962/brasil-entre-os-paises-com-maior-numero-de-obesidade-infantil.shtml

https://www.cdc.gov/obesity/childhood/index.html

https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/obesidade-infantil-um-desafio-de-peso/

https://www.minhavida.com.br/saude/temas/obesidade-infantil

https://saude.abril.com.br/alimentacao/o-perigo-da-obesidade-infantil/

http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/obesidade-infantil.htm

http://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45494-obesidade-infantil-traz-riscos-para-a-saude-adulta

https://pt.wikipedia.org/wiki/Obesidade_infantil

19 visualizações